
Um casal do Espírito Santo matou um pirarucu de 65 quilos a facadas dentro de uma lagoa após fisgá-lo com vara de pesca. O animal, um dos maiores peixes de água doce do mundo, lutou por cerca de meia hora até ser puxado exausto, quando foi esfaqueado ainda vivo para ser colocado no barco. O episódio foi tratado como façanha por parte da mídia e de internautas, que destacaram os pratos preparados com a carne do peixe.
Para quem olha a realidade pelo prisma dos direitos animais, o caso expõe um duplo padrão moral. Se fosse um cervo, uma onça ou um cachorro sendo morto a facadas após lutar pela própria vida, o choque seria imediato. Quando a vítima é um peixe, porém, a violência é normalizada e até celebrada.
Peixes sentem dor, medo e estresse. A ciência já demonstrou que eles possuem sistema nervoso capaz de processar sofrimento. Mesmo assim, a pesca segue romantizada como lazer ou tradição, ocultando o fato básico: trata-se de um animal lutando para não morrer.
O caso do pirarucu escancara como a sociedade escolhe quem merece empatia e quem pode ser tratado como objeto. Para o veganismo, não existe essa divisão. Um peixe quer viver tanto quanto qualquer outro animal.