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Risco aos animais: Governo Trump quer acabar com a regra de áreas sem estradas em florestas nacionais

Publicada em 24/08/26 às 18:17h - 22 visualizações

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Risco aos animais: Governo Trump quer acabar com a regra de áreas sem estradas em florestas nacionais
 (Foto: divulgação)

O governo de Donald Trump avançou com a proposta de revogar uma regra criada há 25 anos para proteger milhões de hectares de florestas nacionais nos Estados Unidos da abertura de estradas, exploração madeireira e outros empreendimentos. A mudança pode ampliar a presença humana em áreas preservadas e atingir diretamente os animais que dependem desses ambientes para viver, se alimentar e se reproduzir.

Conhecida como regra de áreas sem estradas, a norma foi adotada nos últimos dias da presidência de Bill Clinton, em 2001. Ela protege cerca de 59 milhões de acres, o equivalente a aproximadamente 24 milhões de hectares, ou 30% das terras administradas pelo Serviço Florestal dos Estados Unidos.

A proteção alcança territórios onde a ausência de infraestrutura favoreceu a permanência de habitats mais íntegros. Para a fauna, a abertura de caminhos e a retirada de vegetação podem fragmentar áreas de vida, facilitar a entrada de veículos e pessoas e aumentar a perturbação em regiões utilizadas para abrigo, alimentação e reprodução.

O governo Trump sustenta que a norma dificulta o manejo das florestas e impede ações destinadas a reduzir o risco de incêndios. A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, afirmou que o acúmulo de vegetação, a proliferação de insetos e doenças e outros fatores teriam transformado algumas paisagens em áreas altamente vulneráveis ao fogo.

Cientistas, porém, apontam que a intensificação dos incêndios florestais resulta de uma combinação de fatores, entre eles o aquecimento e o ressecamento provocados pelas mudanças climáticas e décadas de supressão do fogo. Para ambientalistas, retirar uma proteção criada para manter áreas florestais sem estradas não constitui uma resposta adequada à crise.

Alex Craven, gerente da campanha florestal do Sierra Club, também contesta a justificativa apresentada pelo governo. Segundo ele, a regra nunca impediu o Serviço Florestal de executar intervenções específicas destinadas a reduzir material combustível. Na avaliação da organização, a abertura de novas estradas pode, ao contrário, favorecer o surgimento de incêndios.

A proposta preocupa especialmente defensores da Floresta Nacional de Tongass, no Alasca. Maior floresta nacional dos Estados Unidos, a região abriga uma diversidade expressiva de animais e desempenha papel fundamental na migração de salmões. A integridade de seus ecossistemas também está ligada à sobrevivência de comunidades que dependem da pesca e de outras atividades associadas à floresta.

Emma Powell, gerente de assuntos governamentais da Alaska Wilderness League, descreveu Tongass como um patrimônio de importância global. Segundo ela, a floresta sustenta espécies, culturas, meios de subsistência e milhares de empregos relacionados à pesca, ao turismo e à recreação.

A trajetória da área já foi marcada por disputas durante o primeiro governo Trump. Na ocasião, o governo federal retirou as restrições à exploração madeireira e à construção de estradas em Tongass. A medida foi posteriormente revertida durante a administração de Joe Biden.

A possível revogação da regra também desperta críticas pelo custo de manutenção da infraestrutura existente. David Jenkins, presidente da organização Conservatives for Responsible Stewardship, afirma que o Serviço Florestal já enfrenta um déficit bilionário na conservação de sua malha viária, que soma cerca de 592 mil quilômetros.

Embora o fim da proteção não determine automaticamente o corte de árvores ou a construção de estradas, ambientalistas temem que a retirada da designação abra caminho para empreendimentos capazes de alterar habitats preservados. A perda de áreas contínuas pode deixar animais mais expostos à presença humana e reduzir espaços necessários à sua sobrevivência.

O Serviço Florestal abriu consulta pública sobre a proposta e sobre a versão preliminar da declaração de impacto ambiental apresentada ao Diário Oficial dos Estados Unidos. O prazo para manifestação termina em 21 de setembro.

Para organizações de defesa ambiental, a disputa ultrapassa a questão administrativa. Está em jogo a permanência de territórios onde animais ainda encontram condições para viver sem a transformação constante de seus habitats em áreas destinadas à exploração humana.




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