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Comunidades recebem recompensas por proteger animais em programa de proteção na África

Publicada em 25/08/26 às 17:55h - 26 visualizações

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Comunidades recebem recompensas por proteger animais em programa de proteção na África
 (Foto: ilustração)

Moradores de regiões rurais da Tanzânia, de Moçambique e do Quênia estão sendo envolvidos em um programa que transforma registros da fauna silvestre em benefícios para as próprias comunidades. A iniciativa utiliza armadilhas fotográficas instaladas pelos moradores para monitorar animais e distribui recompensas conforme a quantidade e a importância das espécies registradas.

Criado pela organização britânica sem fins lucrativos Lion Landscapes (LL), o programa Community Camera Traps (CCT) surgiu após experiências no sul da Tanzânia, onde leões eram mortos por jovens que, segundo tradições locais, atuavam como guerreiros e caçavam os animais sob o argumento de proteger pessoas e rebanhos.

A proposta partiu de uma constatação. Reduzir os prejuízos provocados pela presença de animais silvestres não era suficiente para interromper as mortes. Era necessário fazer com que a conservação também trouxesse benefícios concretos para quem divide o território com a fauna.

No CCT, os moradores recebem treinamento para instalar e manejar as câmeras em suas aldeias. Cada fotografia gera uma determinada quantidade de pontos. Registros de espécies ameaçadas de extinção e de grandes carnívoros têm maior valor, enquanto animais identificados com coleiras de monitoramento recebem pontuação dobrada.

A cada três meses, os pontos acumulados pelas aldeias são convertidos em benefícios escolhidos pelos próprios moradores. Entre as recompensas estão atendimento médico, cuidados veterinários e materiais escolares.

Nas primeiras competições, quatro aldeias disputavam entre si. A comunidade que reunisse mais pontos recebia US$ 2 mil em benefícios, enquanto a quarta colocada obtinha US$ 500. Uma nova rodada era iniciada a cada trimestre, com os resultados divulgados publicamente.

As imagens também servem à pesquisa científica. O material produzido pelas câmeras permite acompanhar a presença, a distribuição e os hábitos de animais que vivem nas áreas comunitárias, fornecendo informações que seriam difíceis de obter por outros meios.

A experiência levou a LL a desenvolver o CCT+ uma versão que acrescenta pontos para ações concretas de proteção da fauna e estabelece penalidades quando são identificados sinais de envenenamento ou uso de armadilhas.

Nas áreas próximas ao Parque Nacional de Ruaha, onde vive uma das maiores populações remanescentes de leões, moradores passaram a reforçar os cercados usados para proteger o gado. Com telas de arame, os ataques de leões aos animais domésticos foram reduzidos em 95%, segundo a organização.

Para Amy Dickman, co-CEO da LL e professora de conservação da vida selvagem na Universidade de Oxford, experiências anteriores demonstraram que benefícios desvinculados diretamente da presença dos animais não eram suficientes para impedir a perseguição à fauna.

“Os benefícios são associados ao projeto em si, e não especificamente à vida selvagem”, afirmou. Segundo ela, mesmo quando as comunidades recebiam vantagens, continuavam ocorrendo mortes de animais por caça com armadilhas e envenenamento.

O CCT foi finalista do Prêmio Pathfinder da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), reconhecimento destinado a iniciativas inovadoras de conservação. O modelo já foi implementado em Ruaha e Selous-Nyerere, na Tanzânia, e agora avança para a Reserva de Niassa, em Moçambique, e para Laikipia, no Quênia.

A iniciativa parte de uma questão que costuma permanecer em segundo plano nos debates internacionais sobre conservação. Para comunidades que vivem ao lado de grandes carnívoros, a presença desses animais pode representar riscos, perdas econômicas e conflitos. Enquanto isso, leões, elefantes e outras espécies são frequentemente tratados como patrimônios naturais de interesse global.

O desafio, portanto, não deveria recair apenas sobre quem divide o território com a fauna. A própria organização reconhece que um sistema permanente de conservação não pode depender exclusivamente de doações. Dickman defende que governos, organizações e sociedade internacional assumam uma parcela maior dos custos de proteger espécies cuja preservação beneficia o planeta inteiro.

A expectativa da LL é ampliar o modelo para outras paisagens africanas e, futuramente, adaptá-lo a regiões de outros continentes e a espécies diferentes dos leões. A proposta coloca a convivência como alternativa à perseguição e tenta criar condições para que a presença dos animais vivos seja mais valorizada do que sua morte.




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